sábado, 6 de outubro de 2007

A olhar para o vazio...


Numa tarde como as outras este dragão ficou a olhar para o vazio.
O vazio deixado por alguém que prometera ficar até a morte separar, que dizia amar tanto que este dragão era a sua razão de respirar.
Mas foi uma ilusão, um erro de sistema, um engano da natureza. Uma mulher sensual, linda, inteligente, equilibrada nunca poderia amar ou estar apaixonada por um ser infantil, insuficiente, doido, tarado, fraco, carente e que ainda acredita em fadas e princesas.

Apesar de ter encontrado alguém, numa terra distante, ele continua fraco e carente. O dragão sente o desejo de estar novamente com uma mulher e desfrutar de longos momentos de prazer e êxtase.

No fim de contas este dragão é igual aos outros homens, com uma pequena enorme diferença, não sabe amar e é monstruoso.

Este desabafo ou este momento de agonia repete-se constantemente.
Claro que o dragão esta bem só, em paz, sem ter alguém a cobrar, exigir, manipular e puxar para o fundo. Mas o dragão precisa de mais, de carinho e afecto.

Afinal de contas tem sentimentos e ama, adora as mulheres e a sua sensualidade.
Sente a falta de companhia ao fim do dia, no deitar, no acordar e com quem partilhar a alegria e a tristeza.

Será que um dia irá ultrapassar e crescer.
Será que irá evoluir e andar de cabeça erguida como um ser completo.
Uma dúvida provocada pela solidão e o vazio que o rodeia.